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Pesquisadores constroem caminhos virtuais para conectar áreas de preservação ambiental em todo o planeta e evitar perda de biodiversidade com as mudanças climáticas

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 21/nov/2017 -

A nova arca de Noé

Enquanto muitos abusam do planeta sem pensar em quem vem pela frente, outros começam a planejar a sobrevivência na Terra daqui a 50 anos. A Fundação Leonardo Di Caprio acaba de divulgar um projeto de escala global para mapear possíveis corredores ecológicos que irão permitir o livre deslocamento de animais, a dispersão de sementes e o aumento da cobertura vegetal entre áreas protegidas à medida que as mudanças climáticas avançam. E quem traçou os caminhos para este futuro foi uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa.

O trabalho dos pesquisadores do Departamento de Solos da UFV irá subsidiar o esforço da Leonardo DiCaprio Foundation para arrecadar mais de 20 milhões de dólares e acelerar iniciativas de conservação e a busca de soluções inovadoras para a crise climática. A equipe coordenada pelo professor Elpídio Inácio Fernandes Filho foi convidada pela Fundação Globaïa, situada na Inglaterra, para, em seis meses, mapear uma possível rede de segurança para a sobrevivência de espécies ameaçadas no planeta.

“Para executar este projeto, a Fundação Leonardo DiCaprio considerava convidar algumas universidades dos Estados Unidos e da Europa com as quais já havia trabalhado. Foi quando apontei a importância de trabalharmos com uma universidade do Brasil devido à posição do país no ranking de diversidade biológica e à necessidade de abordarmos um projeto dessa magnitude a partir de diferentes ângulos. Além de ter grande tradição de pesquisa, a UFV mostrou disponibilidade e  capacidade necessárias para lidar com o projeto em um período de tempo tão curto”, disse Manno França, um dos diretores da Fundação Globaïa.

Para o trabalho, os pesquisadores, especialistas em geoprocessamento, buscaram mapas de todas as áreas protegidas conhecidas no planeta e desenvolveram modelos computacionais sofisticados para buscar rotas viáveis entre elas. O objetivo é que os caminhos traçados se tornem áreas delimitadas e definidas como de alta prioridade. Caso o projeto se concretize, serão recuperadas com mata nativa para movimentação de espécies e fluxo gênicos.

O mapeamento global de corredores ecológicos e do potencial de conservação é a fase inicial de um projeto mais longo de utilização dos mapas como base para desenvolver outro ainda mais complexo e detalhado. Para Manno França, ”o objetivo final é chegar a uma proposta de conservação e uso sustentável de cerca de 50% do planeta, considerando a necessidade de assegurarmos a integridade da biosfera em face do crescimento acelerado da população mundial”.

 

Por que ter uma rede de segurança?

Para entender melhor a proposta lançada pela Fundação do famoso ator de Hollywood, é preciso saber que pesquisadores e ambientalistas reconhecidos acreditam que, para garantir a sobrevivência humana, é preciso que metade do planeta esteja protegido para manter recursos biológicos da flora e da fauna. De acordo com o Relatório do Planeta Vivo, do World Wide Fund for Nature (WWF/2016), o desmatamento generalizado já fez desaparecer da Terra metade das espécies de vertebrados, desde a década de 1970. A situação é muito pior para as populações de água doce, que registraram um declínio global de 80% no mesmo período.”A sociedade moderna tem subestimado o papel vital que a natureza desempenha em fornecer à humanidade ar puro e água, alimentos saudáveis ​​e um clima estável – elementos essenciais para sustentar a vida. Uma ‘rede de segurança’ de ecossistemas protegidos e conectados ao redor do planeta, poderia evitar uma crise climática e criar um mundo onde a natureza e a humanidade coexistam e prosperem”, afirmou Justin Winters, diretor executivo da Fundação Leonardo DiCaprio. Ao lançar o projeto em Washington, este mês, Winters disse ainda que, sem uma diversidade de espécies de plantas e animais, os principais ecossistemas poderiam entrar em colapso, ameaçando os recursos sobre os quais a civilização humana se baseia. “Os ecossistemas saudáveis ​​capturam, filtram, reciclam e distribuem a água da chuva, irrigam as culturas e fornecem água potável para bilhões de pessoas. Eles também absorvem enormes quantidades de dióxido de carbono, o gás de efeito estufa, que causam as mudanças climáticas. Sem os ecossistemas intactos, o carbono atmosférico seria mais do dobro do que é hoje, tornando o planeta inadequado para a habitação humana”. Trabalho feito à mãoPara o trabalho, a equipe usou bases de dados cartográficos que são fornecidos pelos governos e instituições não governamentais de todo o mundo. Mas se engana quem pensa que o trabalho de desenhar corredores ecológicos planetários foi feito por supercomputadores. A equipe do Laboratório de Geoprocessamento (LabGeo) da UFV foi formada por apenas cinco pesquisadores: Elpídio Fernandes, Pedro Christo, Felipe Simas, Martim Meier e Guilherme Oliveira. Sem verbas para o projeto e sem um computador que desse conta de tantos dados do modelo espacial, eles usaram talento, conhecimento e criatividade. Para rodar os programas, eles utilizados 24 computadores comuns, de salas de aula, funcionando durante madrugadas e finais de semana. “Nós fatiamos os continentes em muitas partes para depois superposicionar todos. Foi um trabalho de boa vontade e criatividade mesmo. Às vezes, uma área demorava 18 horas para ser processada”, disse Pedro Christo. “Nós colaboramos com a ideia mostrando que é factível. Usamos uma escala de 500 metros por pixel na geração dos mapas. Se tudo der certo, será necessário reduzir a área detalhando cada corredor, o que irá exigir um esforço muito maior de pesquisa”, explicou o professor Elpídio.Além de conectar as unidades de conservação já existentes, os pesquisadores precisaram criar corredores que também desviassem de áreas de grande demanda. “Nos modelos, nós estabelecemos custos para movimentação da vida silvestre, prevendo caminhos mais curtos e de menor esforço e risco para os animais, mas que também evitassem áreas onde há plantios comerciais, mineração, cidades, estradas, rios e outros impedimentos geográficos ou econômicos”, contou o professor Elpídio. Para Manno França, os resultados do trabalho feito pela UFV foram muito bem recebidos pela Fundação Leonardo DiCaprio e por cientistas e organizações envolvidas no projeto. As verbas arrecadas deverão agora viabilizar a contrução das centenas de milhares de corredores definidos pela equipe da UFV. Essa é uma questão estratégica que depende de políticas de meio ambiente. Os caminhos já foram construídos.

Léa Medeiros

Divulgação Institucional

Foto: Daniel Sotto Maior

Elpídio

Pedro Christo, Guilherme Oliveira​ e Elpídio Fernandes. Três dos cinco pesquisadores responsáveis pela criação dos corredores ecológicos

 

Doutorandos da Veterinária participam de estudo inédito sobre reprodução de grandes felinos

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 16/nov/2017 -

O doutorando do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Veterinária (PPGMV) Leanes Cruz da Silva é um dos integrantes da equipe que, no final de outubro, realizou, pela primeira vez, no estado do Mato Grosso do Sul, uma Aspiração Folicular por Laparoscopia (Lopu) em onças-pardas.Leanes foi um dos responsáveis pela contenção farmacológica e acompanhamento veterinário dos animais.

O procedimento, segundo ele, fez parte do projeto de pós-doutorado do pesquisador e médico-veterinário Gediendson Ribeiro de Araújo, que está realizando, na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), um estudo pioneiro no Brasil na reprodução dos grandes felinos brasileiros. O objetivo é a preservação de espécies ameaçadas de extinção, como as onças pardas e pintadas.

Além de Leanes, a bióloga e também doutoranda do PPGMV Milene de Paula Figueira participou da equipe de manejo dos animais, atuando como auxiliar dos médicos veterinários nos procedimentos realizados. Vale destacar que ambos são orientandos do professor Tarcízio Antônio Rêgo de Paula, que há cerca de 20 anos trabalha com reprodução de carnívoros silvestres. O professor também orientou Gediendson Ribeiro de Araújo, ex-estudante de mestrado e doutorado na UFV, e Thyara de Deco Souza, docente na UFMS, outra integrante do estudo.

Leanes considera “a realização de um sonho poder participar de pesquisas com tamanha importância e espécies tão enigmáticas”. Ele avalia a experiência como reconhecimento de seu trabalho e início de uma grande jornada, que “almeja estabelecer técnicas que colaborem no processo de preservação de espécies ameaçadas de extinção”. É nessa direção, inclusive, que ele vem conduzindo suas pesquisas no doutorado, na tentativa de compreender o comportamento territorial dos grandes felinos e relacioná-lo aos impactos ambientais provocados pelo homem.

As informações sobre a pesquisa podem ser conferidas neste link. Também participam do estudo pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo, da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul e da McGill University (Canadá).

Adriana Passos
Divulgação Institucional

O objetivo da pesquisa é preservar espécies ameaçadas

O objetivo da pesquisa é preservar espécies ameaçadas

 

Destaque em periódico internacional, pesquisa da UFV investiga efeito de quimioterápico em DNA

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 14/nov/2017 -

Um dos maiores desafios nos tratamentos de diversos tipos de câncer é entender a ação dos fármacos quimioterápicos nas células, particularmente no DNA. Mas os obstáculos são muitos: reproduzir in vitro, ou pelo menos simular de forma eficiente, o ambiente intracelular, não é fácil. Além disso, as dimensões nanoscópicas das moléculas são outro complicador, requerendo tecnologia de última geração que permita manipular estruturas milhares de vezes menores que o diâmetro de um fio de cabelo, por exemplo. O único laboratório do país onde o equipamento necessário é utilizado para essa finalidade fica na UFV – e um estudo desenvolvido ali acaba de se tornar destaque num em um respeitado período científico internacional.

O artigo Doxorubicinhinders DNA condensationpromotedbytheproteinbovineserumalbumin (BSA) está na capa da mais recente edição da conceituada revista Biopolymers (Wiley). O trabalho tem como autores os estudantes de doutorado Carlos Henrique Moreira Lima e Hauster Maximiler Campos de Paula, além dos professores Luis Henrique Mendes da Silva, do Departamento de Química, e Márcio Santos Rocha (à esq.), do Departamento de Física. O objetivo foi criar condições semelhantes aos do interior de uma célula para que se possa investigar in vitro, de modo apropriado, os efeitos da interação entre os medicamentos e o DNA.

A solução encontrada pelos pesquisadores foi o uso da proteína albumina do soro bovino (BSA), que, se usada de maneira apropriada, contribui para as análises por dois motivos: simula a grande quantidade de macromoléculas ao redor do DNA, tornando a amostra mais parecida com o espaço intracelular; e reproduz o estado condensado do DNA encontrado em células procarióticas. O fármaco utilizado foi a doxorrubicina, ministrada em variados tipos de câncer.

Para examinarem como o fármaco interagiu com o DNA, os pesquisadores empregaram uma técnica ainda bem pouco difundida no Brasil: a pinça ótica. O sofisticado equipamento inclui vários tipos de espelhos, lentes, microscópios e raio laser. Com ele, foi possível manipular partículas minúsculas – para se ter uma ideia, o DNA é manipulado com precisão de um nanômetro, o que corresponde a algo em torno de 90 mil vezes menos que o diâmetro médio de um fio de cabelo humano. “Há outros laboratórios no Brasil com essa tecnologia, mas somente o Laboratório de Física Biológica da UFV trabalha com a manipulação de DNA na atualidade”, explica o professor Márcio, um dos orientadores do Grupo de Física Biológica.

Os resultados obtidos foram considerados bastante satisfatórios, já que a BSA melhorou muito as condições em que os experimentos de interação acontecem. Para um futuro próximo, a intenção é simular in vitro o ambiente de células eucarióticas, como as dos seres humanos, que são bem mais complexas. “À medida que vamos entendendo esse processo, teremos condições de aperfeiçoá-lo, o que mais adiante poderá levar a tratamentos mais eficientes do câncer”, observa o professor Márcio.

Marcel Angelo
Fotos: Daniel Sotto Maior
Divulgação Institucional

marcel

Cátedra integra UFV à rede internacional de estudos sobre pedagogia de Paulo Freire

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 13/nov/2017 -

Desde setembro, a UFV integra, oficialmente, o rol de instituições que contam com uma Cátedra Paulo Freire. Isso significa que, há quase dois meses, a Universidade dispõe de um espaço permanente de reflexão sobre educação na perspectiva daquele que é considerado um dos maiores pensadores da pedagogia no mundo. A criação formal desse espaço veio três anos depois que um grupo de professores da UFV solicitou a concessão da Cátedra, durante a nona edição do Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, realizado em Turim (Itália), em 2014. Da aceitação da proposta – unânime, por sinal – à aprovação do Conselho Universitário (Consu) foram diversos debates para ajustes de um formato que viesse a atender às demandas da instituição.

Uma vez formatada, sua inauguração teve a presença do professor José Eustáquio Romão, presidente do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire, o mesmo que, em 2014, assinou o ofício autorizando a criação da Cátedra UFV. À frente da coordenação está o professor Edgar Pereira Coelho, do Departamento de Educação (DPE), que explica a Cátedra como um espaço de reinvenção do legado de Paulo Freire na promoção de uma educação emancipadora. “Nosso objetivo é trabalhar com as racionalidades oprimidas”, conta. Segundo ele, no contexto da Cátedra Paulo Freire, também é considerado catedrático aquele que detém um conhecimento popular, que tem autonomia. Foi com base nesse entendimento, inclusive, conforme lembra Edgar Coelho, que nasceu o projeto da Troca de Saberes dentro da Semana do Fazendeiro e vêm sendo articuladas ações do Programa de Extensão Universitária Teia.

O professor explica que, embora tenha sido formalizada no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCH), esse deverá ser apenas um núcleo da Cátedra, que pretende servir de apoio a docentes e alunos de todas as áreas do conhecimento. Portanto, ressalta: “a Cátedra não é do Departamento de Educação”. Ele conta que, por meio de reuniões quinzenais – que já estão acontecendo – com professores e alunos de graduação e pós-graduação, os objetivos são entender com mais profundidade a obra de Paulo Freire – que tem mais de 40 livros – e produzir artigos científicos.

Outro objetivo, a partir da ideia de reinvenção do legado freiriano, é a criação de comitês. Já foram criados o de mulheres e o de estudos das línguas indígenas, coordenados, respectivamente, pelos professores Bethânia Medeiros Geremias e Willer Araujo Barbosa, ambos do DPE. Os integrantes desse último comitê estão discutindo a criação de uma futura pós-graduação em língua indígena na UFV, a exemplo do que acontece em outras instituições.

Missão
A missão da Cátedra, conforme lembra seu secretário de finanças, o professor Arthur Meucci (DPE), “é contribuir com os oprimidos e oprimidas e fortalecer o pensamento de Freire de que a educação é um ato de amor”. Essa ideia, em sua avaliação, “colabora para a boa relação entre professor e estudante, baseada sobretudo no respeito, tão raro nos dias atuais”. Ainda conforme o professor, a leitura das obras de Paulo Freire exercitam os debates sobre o papel da ética no campo da educação.

O professor Edgar ressalta que são muitas as frentes de atuação que poderão ser trabalhadas por quem já conhece ou tem interesse em conhecer a pedagogia freiriana. Isso inclui técnicos, professores e estudantes da Universidade e das comunidades de Viçosa e região. Ele compartilha da percepção de que, apesar do reconhecimento internacional, as ideias de Paulo Freire – que já foi professor visitante da Universidade de Harvard (Estados Unidos) – ainda são pouco conhecidas ou mal compreendidas no Brasil. Talvez, por isso, acredita, queiram retirar dele o título de Patrono da Educação Brasileira.

Com a inauguração da Cátedra, a UFV passa a integrar oficialmente uma rede que conta com representantes em mais de 90 países. Isso significa a inclusão formal da Universidade em debates internacionais protagonizados pelos mais de 60 institutos Paulo Freire espalhados pelo mundo aos quais as cátedras estão vinculadas. Significa também o credenciamento da instituição para sediar, por exemplo, o Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, que acontece, pelo mundo, a cada dois anos.

Os interessados em fazer parte da Cátedra devem se inscrever nos encontros que estão sendo realizados duas quintas-feiras por mês, a partir das 14h, na sala de reuniões do Departamento de Educação. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3899-2415 ou no site:www.paulofreire.ufv.br

 

Adriana Passos – Foto: Leandro Oliveira
Divulgação Institucional

Sedentarismo aumenta risco de queda em diabéticos

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 09/nov/2017 -

Os diabéticos caem e se machucam mais por causa da doença ou porque não fazem exercícios? Perguntas como esta motivaram pesquisadores do Departamento de Educação Física da UFV a utilizar uma tecnologia de ponta para descobrir se é o sedentarismo ou o diabetes a causa de tombos e dificuldades de equilíbrio e locomoção nos portadores da doença. O resultado traz uma novidade até mesmo para os médicos que não estavam seguros sobre como prescrever atividades físicas para diabéticos.

O diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a que produz. A doença é tratável com doses de insulina, um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue e mudanças de hábitos de vida, mas é preciso um monitoramento constante da doença, o que muitos não fazem.

O diabetes afeta mais de 13 milhões de pessoas no Brasil. Isso representa quase 7% da população que nem sempre sabe que é portadora da doença. Quando descobrem, muitos já estão com complicações que poderiam ter sido evitadas. Entre elas, as neuropatias diabéticas que começam com um simples formigamento e perda de sensibilidade nas extremidades do corpo e podem chegar à amputação dos membros.

O professor Paulo Roberto Amorim, orientador da pesquisa, explica que muitas vezes, com a perda de sensibilidade nas extremidades do corpo, um diabético não percebe uma pequena lesão ou mesmo uma meia apertada que pode se transformar numa escara que dificilmente cicatriza. “Essa perda de sensibilidade também modifica a forma como os pacientes caminham ou fazem atividades rotineiras, comprometendo ossos, músculos, articulações e postura. Nós queremos saber como isso acontece para evitar perda de qualidade de vida para os diabéticos”.

O trabalho foi realizado para a dissertação de mestrado Impacto dos comportamentos ativos e sedentário sobre o equilíbrio, composição corporal e autocuidado em portadores de diabetes mellitus, do pesquisador Yuri de Lucas Xavier e co-orientado pela professora Amanda Piaia Silvatti. As avaliações foram realizadas no Laboratório de Análises Biomecânicas do Departamento de Educação Física. Usando um sistema optoeletrônico para análise tridimensional do movimento, os pesquisadores avaliaram a marcha de diabéticos em fase inicial da doença, outros com neuropatias e um grupo de controle, sem a doença. Os voluntários tinham entre 40 e 70 anos. Também foram avaliados o equilíbrio e medo de queda. O resultado surpreendeu os pesquisadores. O diabetes, associado ao baixo nível de atividade física impacta negativamente os parâmetros de uma simples caminhada, aumentando o risco de queda em 21% quando comparados com indivíduos não diabéticos.

Segundo os pesquisadores, os dados mostram que exercícios físicos que fortalecem a musculatura e o equilíbrio são ainda mais recomendados para diabéticos. “Quando as neuropatias já estão evidentes, os médicos têm dúvidas em prescrever atividades físicas, mas a falta de sensibilidade é um indicativo importante para fortalecer a musculatura e evitar dores e quedas”, disse Paulo Amorim. A tendência à queda e desequilíbrio pode ainda subsidiar o trabalho de fisioterapeutas e educadores físicos na prescrição de atividades físicas que trabalhem equilíbrio e fortalecimento muscular. “O sedentarismo piora o risco de queda e desequilíbrio. Quanto antes o trabalho físico começar, menores os danos”, afirmou o professor.

Para a professora Amanda, a pesquisa indica que é preciso conhecer melhor os efeitos do diabetes no equilíbrio e na alteração da marcha, assim como a relação da atividade física habitual mesmo no início da doença, em diferentes faixas etárias. Por isso, a pesquisa deverá continuar avaliando novos parâmetros de movimento nos portadores da doença para subsidiar o tratamento da doença levando mais qualidade de vida aos diabéticos.

Léa Medeiros
Divulgação Institucional

Modelos de movimento no Laboratório de Análises Biomecânicas do Departamento de Educação Física da UFV

Modelos de movimento no Laboratório de Análises Biomecânicas do Departamento de Educação Física da UFV

Abertura do Edital de Bolsas de Iniciação Científica PIBIC-UFV 2018/I

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 19/out/2017 -

A PPG informa que encontram-se abertas, de 19 de outubro até as 17h30 do dia 10 de novembro de 2017, as inscrições de propostas para o Processo de Seleção PIBIC-UFV 2018/I, que engloba o Edital PIBIC/FAPEMIG 2018-2019.

As inscrições devem ser efetuadas pelos pesquisadores da UFV, através do SISPPG, que desejam receber um bolsista de iniciação científica no período de março/2018 a fevereiro/2019, a fim de atuar em Projeto de Pesquisa e Plano de Trabalho propostos, de acordo com as regras do referido Edital de Seleção.

Informamos que houveram alterações significativas no Edital de seleção e pedimos a leitura atenta de todos.

Quaisquer dúvidas poderão ser sanadas pelo e-mail icfapemig.ppg@ufv.br ou pelos telefones 3899-1681 e 3899-3760.

Pesquisa identifica determinantes da violência doméstica contra a mulher no Brasil

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 10/out/2017 -

Uma pesquisa divulgada, em 2013, pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) comprovou que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo. Enquanto, em 2012, a taxa média de homicídios mundial era de 6,2 por 100 mil habitantes, no Brasil, ela alcançou o patamar de 26,52. O mesmo estudo revelou que a taxa de homicídios entre homens é quatro vezes maior do que entre mulheres. Porém, enquanto os homens são geralmente mortos por indivíduos com os quais não mantêm vínculos, mais de 50% dos homicídios femininos são causados por homens com quem as mulheres se relacionam, especialmente no âmbito familiar. É nesse espaço que se configura a violência doméstica, identificada pela Lei Maria da Penha, dentre outros comportamentos, pelo sofrimento psicológico, constrangimento, vigilância constante e insulto.

Mas quais seriam os fatores responsáveis pela vitimização doméstica das mulheres no Brasil? Foi em busca desta e de outras respostas que Jayne Cecília Martins conduziu sua pesquisa no mestrado realizado no programa de pós-graduação em Economia Aplicada da UFV. Ali, sob orientação do professor Evandro Camargos Teixeira (Departamento de Economia), ela defendeu, em julho, a dissertação Determinantes da violência doméstica contra a mulher no Brasil. O objetivo foi analisar a relação existente entre a probabilidade de a mulher ser vitimada com os fatores individuais e o contexto social em que está inserida.

No estudo, de abrangência nacional, Jayne Martins trabalhou com a base da dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) – publicada, em 2009, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especificamente naquele ano, foi aplicado um questionário sobre vitimização para 108.974 mulheres de todos os estados brasileiros. A intenção era saber, dentre outras informações, se elas haviam sido vítimas de agressão física, por quem e onde e se fez boletim de ocorrência. Das entrevistadas, 43,1% sofreram violência em sua própria residência, e de todas as agredidas no país – dentro e fora de casa – 25,9% se disseram vítimas de seus atuais ou ex-cônjuges.

Jayne Martins trabalhou ainda com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), também publicada pelo IBGE em 2009, que traz informações sobre delegacias, defensorias, casas de abrigo e centros de referências da mulher existentes nos municípios. Para o cruzamento dos dados, a pesquisadora estimou o que ela chamou de “modelo hierárquico logístico em dois níveis”. Para o primeiro nível, ela considerou as características individuais e familiares da mulher, como nível de instrução, rendimentos, empregabilidade, estado civil e número de filhos. Para o segundo, Jayne analisou as características do ambiente social em que as mulheres estão inseridas. Esse último aspecto, segundo a pesquisadora, confere um ineditismo ao seu trabalho, uma vez que nenhum outro considerou os mecanismos de proteção contra a mulher como caracterização do ambiente social.

Alguns resultados
Dentre os resultados obtidos, a pesquisa constatou que a existência de filhos e o estado civil das mulheres foram os aspectos que mais positivamente se relacionaram com a probabilidade de vitimização. O fato de a mulher ter filhos aumenta 19,42 pontos percentuais (p.p) essa probabilidade. A explicação, de acordo com Jayne, está no fato de que eles reduzem a chance de a mulher denunciar a violência, tornando-a reincidente. Na avaliação da pesquisadora, isso acontece porque, “às vezes, a mulher tem consciência de que deve denunciar, mas não o faz porque não terá como sobreviver. Afinal, como sair de casa se não tem uma profissão e nem como se manter sozinha e cuidar dos filhos?”. Quanto ao estado civil, a pesquisa revelou, de acordo com os dados da PNAD, que as mulheres separadas/divorciadas têm maior probabilidade de sofrerem violência – seguidas das solteiras -, e também de denunciarem, o que as casadas fazem menos. A pesquisa verificou ainda que a probabilidade de vitimização diminui quando o marido trabalha (redução de 2,0061 p.p.) e quando a mulher tem maior escolaridade (redução de 0,05 p.p).

Em relação ao ambiente social, os índices de defesa e apoio às vítimas foram estatisticamente significativos, apresentando relação positiva com a probabilidade de a mulher ser vitimada. Esta correlação positiva pode ser interpretada, conforme a pesquisadora, como uma redução no custo de denúncia da vítima. Com a existência e o funcionamento das redes de apoio, as mulheres se sentem mais seguras em denunciar seus agressores. Além disso, como a violência doméstica gera insegurança dentro do lar da vítima, a presença de mecanismos de apoio à mulher próximos às suas residências possibilitam a saída dela de casa. Quanto maior a quantidade de delegacias, defensorias, casas de abrigo e centros de referência nos estados, menores são os custos sociais de denúncia para a vítima e maior será a probabilidade de que a violência seja denunciada.

Para o professor Evandro Teixeira, orientador da pesquisa, o trabalho de Jayne denota um aspecto importante relacionado ao custo da violência: a perda de capital humano. Ele lembra que a violência gera diversos custos, que vão da segurança pública à queda de receita pelo governo com turismo, por exemplo. No entanto, pouco se reflete sobre a contribuição que as mulheres vitimadas poderiam dar ao processo de crescimento econômico do país. O capital humano, conforme o professor, pode ser definido como atributos ou competências para a realização de atividades laborais, podendo ser representado pelo nível de educação, estado de saúde e habilidade inata. Além da mulher vitimada, as pessoas que estão em seu entorno, como os filhos, também sofrem severas penalizações. E questiona: “como esperar que uma criança que cresceu em um ambiente violento consiga, no futuro, contribuir com o país em termos de capital humano?

Segundo Jayne, os resultados de sua pesquisa reforçaram o que já é sabido: “a importância de políticas públicas que combatam a violência doméstica”. Uma medida necessária, em sua avaliação, é a ampliação dos mecanismos de combate, já que em grande parte dos municípios não existe órgão de apoio às vítimas. Jayne chama a atenção, contudo, para o fato de que medidas dessa natureza e aumento de custos não serão isoladamente eficazes para se combater a violência doméstica. “É necessário o empoderamento feminino, possibilitando que as mulheres tenham os mesmos direitos, salários e nível de educação que os homens”. Este empoderamento pode ocorrer, em sua opinião, por meio de projetos sociais de capacitação e possibilidade de geração de emprego e renda para as mulheres mais pobres, vítimas ou não da violência.

Adriana Passos
Divulgação Institucional

Na foto, um registro de Jayne (segunda da esq. para dir.) com os professores Cristiana Tristão Rodrigues, Evandro Camargos e Elaine Aparecida Fernandes. As duas professoras do DEE participaram da banca de defesa.

Na foto, um registro de Jayne (segunda da esq. para dir.) com os professores Cristiana Tristão Rodrigues, Evandro Camargos e Elaine Aparecida Fernandes. As duas professoras do DEE participaram da banca de defesa.

Pesquisadores do Departamento de Fitopatologia vencem desafio Biomaker Battle

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 10/out/2017 -

Uma equipe de pesquisadores do Departamento de Fitopatologia da UFV foi a vencedora do Biomaker Battle, um desafio científico promovido pela Biominas Brasil e Sebrae. A iniciativa dá visibilidade para a qualidade do trabalho científico desenvolvido nas universidades e centros de pesquisa e cria oportunidades para a aplicação prática de ideias de negócios, projetos e pesquisas no desenvolvimento de soluções inovadoras nas áreas de saúde humana, digital health, agronegócio, saúde animal e meio ambiente.

Durante o evento, realizado no início de outubro, em Viçosa, as equipes competidoras participam de dinâmicas com especialistas e workshops sobre empreendedorismo, bem como de atividades para defender os projetos de pesquisa. Sete equipes de várias instituições mineiras participaram da batalha e foram desafiadas a utilizar o conteúdo e as ferramentas aprendidas para construir um modelo de aplicação do projeto, mostrando o potencial na resolução de um problema.

A equipe EcoRust, formada por pesquisadores do Laboratório de Patologia Florestal foi a campeã. Eles desenvolvem técnicas para fazer o controle biológico do fungo Austropuccinia psidiique causa a praga conhecida como ferrugem em culturas comerciais como eucalipto e a goiaba. A técnica pode reduzir o consumo de defensivos agrícolas comumente usados para combater a praga. A equipe é orientada pelo professor Gleiber Furtado. Com a vitória no Biomaker Battle, os pesquisadores podem conseguir investimentos para comercializar o produto no modelo spin-off de empreendedorismo científico.

Léa Medeiros
Divulgação Institucional
Foto: Divulgação

Da esquerda para a direita: Luísa Salvador Borges, Carlos Eduardo Aucique Pérez e Renata Belisário

Da esquerda para a direita: Luísa Salvador Borges, Carlos Eduardo Aucique Pérez e Renata Belisário

UFV realiza solenidade de titulação de mestres e doutores

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 10/out/2017 -

A UFV entregou títulos de mestres e doutores a 176 pós-graduados em solenidade realizada dia 6 de outubro. Os novos mestres e doutores dos Centros de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, Exatas e Tecnológicas e Humanas, Letras e Artes foram prestigiados por amigos e familiares no Espaço Acadêmico-Cultural Fernando Sabino, do campus Viçosa.

Para a doutora em Estatística Lidiane Ferraz, que já havia concluído o mestrado na mesma área na UFV, o período de pós-graduação foi “de muito aprendizado, com noites de sonos perdidas para escrever a tese, mas o tempo de estudo na UFV foi uma das melhores coisas que aconteceram”. Agora ela comemora outra conquista: continuará na Universidade como professora, já que foi aprovada para lecionar Matemática no Colégio de Aplicação – CAp-Coluni.

A mestra em Administração Luciana Lelis afirma que a solenidade de titulação é um momento importante por permitir encontrar com os amigos e compartilhar alegrias, além de fechar uma etapa de grandes desafios. “Saímos da graduação um pouco inexperientes e o mestrado acrescentou muito para a vida da gente”, destacou.

A doutora em Meteorologia Agrícola Lívia Cristina Pinto Dias foi a oradora da turma e convidou os titulandos a relembrarem a trajetória vivida desde quando terminaram a graduação e foram motivados a ingressar na pós-graduação devido à ânsia pelo conhecimento. Ela ressaltou que todos sabiam que o caminho seria longo e exigiria sacrifícios, mas o que não sabiam era “a dimensão real da transformação pessoal e profissional que estava por vir”, como, por exemplo, aprender que “fazer pesquisa é mais do que materiais e métodos, é também saber lidar com problemas e pessoas”.

O professor Afonso Augusto Teixeira de Freitas Carvalho Lima, do Departamento de Administração e Contabilidade, para quem foi uma honra e privilégio ter sido escolhido paraninfo, disse que, como professor de pós-graduação e orientador, busca paralelamente à construção do conhecimento contribuir para a formação de cientistas e profissionais melhores do que ele em todos os aspectos possíveis. O paraninfo deixou ainda como mensagem aos titulandos um aforisma atribuído a Galileu Galilei: “nada se ensina ao homem pode-se apenas ajudá-lo a encontrar as coisas dentro de si mesmo”.

A reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares lembrou que os novos mestres e doutores são motivos de orgulho para UFV, instituição que na última avaliação da Capes elevou ainda mais o seu patamar de qualidade. Ela recomendou que os titulandos distribuam o conhecimento obtido na UFV nos locais em que irão exercer suas atividades profissionais, com humanização e firmeza em seus princípios e valores.

As fotografias da solenidade estão disponíveis neste link.

Sabrina Areias
Fotos: Rodrigo Cupertino, estagiário
Divulgação Institucional

UFV sedia Congresso Brasileiro de Ecologia

Postado por Marcos Jose Mendes Miranda Miranda em 10/out/2017 -

A UFV promoveu entre os dias 8 e 12 de outubro, um dos maiores eventos científicos de sua história. O XIII Congresso de Ecologia que aconteceu simultaneamente ao III Internacional Symposium  of Ecology and Evolution  recebeu mais de dois mil participantes de todas as regiões  do Brasil. O evento contou com mais 160 palestras nas 20 áreas da Ecologia.

O Congresso foi promovido pela Sociedade de Ecologia do Brasil e realizado a cada dois anos. Esta é a primeira vez que aconteceu em Viçosa, organizado pelos Departamentos de Biologia Geral (DBG) e Biologia Vegetal (DBV). Segundo o presidente da Comissão Científica, Ricardo Campos (DBG), o tema Múltiplas ecologias: evolução e diversidade teve como objetivo aliar a teoria ecológica pura aos problemas de conservação de meio ambiente, relacionando questões socioambientais, serviços ecossistêmicos, desigualdade social e perda de diversidade.

O evento foi aberto  com uma conferência do pesquisador que é referência internacional em estudos de ecologia. Michael Begon é professor na Universidade de Liverpool, Reino Unido e autor de livros que são referências para graduação e pós-graduação em ecologia em todo o mundo. A palestra teve como tema Rodent disease ecology – from principles to applications.

Além de palestras, debates e mesas redondas, o Congresso contou ainda com a apresentação oral de 128 trabalhos e de 1600 pôsteres.

 

O evento foi aberto  com uma conferência do pesquisador que é referência internacional em estudos de ecologia. Michael Begon

O evento foi aberto com uma conferência do pesquisador que é referência internacional em estudos de ecologia. Michael Begon

Léa Medeiros
Divulgação Institucional